quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A CASINHA DOS SONHOS

PROJETO CRIANÇA FELIZ





Eu tive sorte de ter nascido numa comunidade simples, humilde e chamada de periferia. E tive mais sorte ainda de ter nascido um sonhador. Mas um sonhador, pra ser sonhador de verdade, tem que aprender com alguém a como direcionar esses sonhos pros lugares certos para que se tornem realidade, afinal, todos precisamos de professores e de escolas.

Eu fui criado em meio a arte, pois minha família é uma família de artistas. Além de ter arte em casa, eu tive outro auxílio, e um auxílio grandioso: um lugar onde se ensina a sonhar!

A "Casinha dos Sonhos", mais conhecida como Projeto Criança Feliz, foi minha primeira escola. Ali aprendi valores e a ser eu mesmo.


O "faz de conta" que acontecia ali dentro, era apenas uma preparação para tudo o que eu ia viver e conquistar no mundo da arte. Tive ali minhas primeiras aulas de violão, de violino, de teatro, de canto, pandeiro, e tive a oportunidade de subir pela primeira vez em um palco de teatro, de verdade!

Tudo aquilo sempre foi tão mágico pra mim, tão lúdico. Eu me divertia ao mesmo tempo que aprendia. Foi ali que eu aprendi a ser humano. 

Como um "oásis no meio do deserto" é a "Casinha dos Sonhos" no meio dos bairros Jardim Iracema e Padre Andrade, bem na divisa, onde duas comunidades se tornam apenas uma, em pensamento e sentimento.

O meu sentimento de gratidão é tão enorme e inexplicável que já tentei de todas as formas descrevê-lo e só saiu poesia. A "Casinha dos Sonhos" deve ser mesmo isso, uma poesia.

A beleza desta casa, não está nas paredes, nas salas, nem na biblioteca, está nos sorrisos, nos olhares e nos momentos de afeto, carinho e força de vontade.


Ali acontecem coisas que nenhum gravador ou câmera pode registrar. A "Casinha dos Sonhos" é a maior prova de que uma pequena atitude pode mudar milhões de vidas. 

A minha vida, foi completamente mudada com as coisas que aprendi lá. E me orgulho disso! Eu fico me perguntando, como pode ter tanta gente com essa vontade de mudar vidas, dentro de uma comunidade tão ameaçada pela violência? E na mesma hora a resposta me vem na cabeça: É justamente essa violência que nos dá força pra querer mudar essa situação.

Escrevendo este artigo, não contenho as lágrimas, pois a emoção me toma por completo por falar de uma coisa que me toca profundamente: a minha escola.


Quando vejo os jovens trocando uma arma por um violão, ou uma pedra de crack por um violino, ou mesmo um cigarro de maconha por um tambor, meu coração se enche com um sentimento que mal cabe dentro de mim. Sinto que isso sim, foi uma troca bem feita, e uma troca que ele nunca irá se arrepender.

Prefiro os jovens da minha comunidade com um sorriso nos olhos e um instrumentos na mão do que no chão, sem vida!

Ronaldo Lopes, Socorro Timbó, Eliane Oliveira, Sandra, Vanessa, Gerlene, Fábio Porto, Diones Mendes, Ivânia Maia, e tantos outros profissionais que tiram seu tempo para se empenhar nessa causa, são pessoas de grandes corações, unidas em um mesmo pensamento e na mesma luta: Mudar Vidas!

Meus sonhos ali só crescem, passeio pelo jardim lembrando de quando era menino e corria por ali descalço, as vezes, e comia frutas e sentia o cheiro das rosas perto da fonte. Aquilo tudo sempre foi tão lindo. Tudo o que sentia e sinto naquele lugar, jamais senti ou sentirei em outro.



Com todas as forças, lutarei por minha casa, a "Casinha dos Sonhos", lutarei para que nunca feche as portas, nunca deixe de atender as famílias e lutarei principalmente, para que nunca deixe de ensinar a sonhar e a ter esperanças no ser humano por mais que o mundo diga o contrário.

Este pequeno depoimento, escrevo com lágrimas nos olhos, cheio de emoção no peito e de felicidade, com uma eterna esperança de que uma pequena atitude, muda milhões de vidas.




AO PROJETO CRIANÇA FELIZ

É pé descalço
É brincadeira
Luz verdadeira
Na escuridão
É um oásis
Amor materno
Cantar fraterno
Do coração.

É pulo e roda
É cirandinha
É toda a minha 
Inspiração
É berço cheio
De fantasia
É alegria
No coração.

É criançada
Sempre a brincar
Poder sonhar
Com emoção
É tudo aquilo
Que move o mundo
É amor profundo
Do coração.

É uma fonte
De vida e arte
Nos torna parte
Da criação
É poesia
Que nos agita
E nos palpita 
O coração.

É caridade
Grande Carinho
No meu caminho
De pé no chão
Descalço eu sigo
Sentindo o vento
E o sentimento
Do coração.

(Rafael Brito)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O TESTAMENTO DE ZÉ MORREDOR - LANÇAMENTO NA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

O TESTAMENTO DE ZÉ MORREDOR
LANÇAMENTO NA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO


O TESTAMENTO DE ZÉ MORREDOR - AUTOR: RAFAEL BRITO

Fruto de uma experiência parecida, "O Testamento de Zé Morredor" foi um texto que simplesmente pensei e saiu de uma só tacada. Dentro de 30 ou 40 minutos escrevi esse folheto, e será um sucesso na II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO. Além desse, outros títulos de minha autoria também serão lançados como "O Casamento da Raposa", "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra Encantada da Lagoa do Padre Andrade", e muitos outros.

Confira um trecho do folheto "O Testamento de Zé Morredor" e entre em contato para adquirir o folheto na íntegra:


Das histórias desse mundo
Muitas são tão curiosas
Que até parecem mentira
Por serem fantasiosas
Cada qual tem sua beleza
Narrações maravilhosas.

Essa que vos conto hoje,
Meu bom e caro leitor,
Escutei a muito tempo
De um velho contador 
De histórias, que vivia
Na baixa do varredor.

Conto que Zé Morredor,
Apelido do sujeito
Que todo dia sonhada
Em morrer de todo jeito
Bala, faca, e até infarto
Mas era um homem direito.

Qualquer coisa para ele
Era motivo pra morte
Até suco com semente,
Gostava de levar corte
E quando alguém lhe batia
Se um julgava homem de sorte.

Um dia já enfadado
De tanto esperar morrer
Zé olhou pra o céu sem nuvem
Engoliu seco ao dizer
Que faria testamento
Pra findar seu padecer.

Viver, pra Zé Morredor,
Era uma espécie de atraso
A morte era um livramento
De um lugar sem acaso
Onde se planta mentira
E só se colhe descaso.

Disse ele: hoje eu vou
Escrever meu testamento
Já trabalhei o que devia
Levando areia e cimento
Está na hora, eu sinto,
Chegou meu sepultamento.

Separou um quarto claro
Da casa onde morava
Falou pra todos da casa
Que já se aproximava
A hora de sua morte
E quase nada faltava.

Deitou numa cama antiga
E deu recado ao seu filho
Que chamasse advogado
Seu Almeida ou seu Castilho
Que ainda naquele dia
Seguiria pelo trilho.

O advogado entrou
Falou com a parentela
Direcionou-se ao quarto
Entrou, abriu a janela,
Acendeu uma vela branca
E abriu a mala amarela.

Pôs na ponta do nariz 
Um óculos sem uma perna
Procurou em sua maleta
Um papel e uma lanterna
Lambeu a ponta do lápis
E bebeu água da sisterna.

Perguntou, foi bem direto:
Tem muitos bens pra deixar?
Zé Morredor disse: Alguns,
E já sem quem vai ficar
Com o que conquistei na vida
Depois de muito suar.

- Pode citar um a um
Que farei seu testamento
Pelo serviço que faço
Cobrarei trinta por cento
De tudo que tem, e digo:
Aceite meus sentimentos.

(...)

Texto e Capa de Rafael Brito e Correção de Rouxinol do Rinaré.

Contatos para adquirir o folheto na íntegra: 085 98924 1735
ou pelo e-mail: maestrorafaelbrito@gmail.com

terça-feira, 8 de agosto de 2017

PROGRAMAÇÃO DA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

CAIXA CULTURAL FORTALEZA RECEBE A SEGUNDA EDIÇÃO 
DA FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

Com curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana, evento reúne os principais expoentes da literatura popular em versão tipicamente nordestina.

 A CAIXA Cultural Fortaleza apresenta, de 17 a 20 de agosto de 2017, a II Feira do Cordel Brasileiro, que tem o objetivo de incentivar e promover a literatura popular e as manifestações artísticas tipicamente nordestinas. Com aproximadamente 30 expositores, o evento também pretende fomentar o encontro do público geral com os artistas, como forma de conhecer melhor a expressiva produção do melhor do cordel, da cantoria e da xilogravura nacional.

Com entrada gratuita, a Feira do Cordel Brasileiro reúne vários dos principais nomes da literatura de cordel no País, além de emboladores, cantadores de viola e da música regional. Entre as atrações estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro de Belchior em aproximadamente 40 canções; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; o Mestre Valdeck de Garanhuns, bonequeiro, cordelista, repentista e xilogravador; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá. O evento conta ainda com show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Klévisson Viana, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Paiva Neves, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro.

A Feira vai promover palestras, lançamentos literários, a exibição do documentário “Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito”, de Rosemberg Cariry, como também a exposição e venda de folhetos de cordel, livro, camisetas e CDs. A curadoria é do cordelista e editor Klévisson Viana, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura (2015) com o livro "O Guarani em cordel" (Ed. Amarylis, baseado na obra de José de Alencar). 

Além disso, os interessados poderão participar de oficinas de xilogravura e de cordel. As inscrições estarão abertas de 07 a 16 de agosto de 2017, por meio dos emails encenaproducoes@gmail.com e aestrofe@gmail.com ou pelo telefone. (85) 3023-3064. Cada oficina terá limite de 20 vagas.

Nessa edição, os homenageados serão o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte). 

Manifestação literária

O Ceará se perpetua como o maior polo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990, essa produção se acentuou na capital do Estado, sobretudo após o surgimento de associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (CECORDEL), a Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE), entre outras, além da consolidada casa editorial Tupynanquim Editora e da Cordelaria Flor da Serra.

Apesar do linguajar simples e informal, a literatura de cordel é, hoje, revista como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo sua origem na produção oral trovadoresca. Neste sentido, a literatura de cordel vem sendo cada vez mais aceita e estudada pelas academias e já possui uma Academia Brasileira de Cordel, fundada em 07 de setembro de 1988 com sede no Rio de Janeiro.

A II Feira do Cordel Brasileiro é uma iniciativa é da AESTROFE (Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) com patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal com o apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora.


Sobre os homenageados

CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo) – 50 anos de morte (24 de junho de 1878 + 29 de junho de 1967)

No dia 29 de julho de 2017, completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo. 

GONÇALO FERREIRA – 80 anos 

Cearense da cidade de Ipu, o poeta, contista e ensaísta Gonçalo Ferreira da Silva nasceu no dia 20 de dezembro de 1937. Aos 14 anos transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1963, publicou pela Editora da Revista Rural Fluminense o primeiro livro: “Um resto de razão”, coletânea de contos regionais do Nordeste. Em 1978 iniciou sua produção de literatura em cordel, quando, ao realizar estudos sobre cultura popular na Fundação Casa de Rui Barbosa, conheceu o pesquisador Sebastião Nunes Batista e em companhia dele passou a frequentar a Feira de São Cristóvão. Muito exigente com a forma, tem estrofes primorosas em seus mais de 200 trabalhos já publicados. Também escreveu livros em prosa, como uma biografia romanceada do cangaceiro Lampião. É fundador e atual presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, situada no bairro de Santa Tereza (RJ).


ARIEVALDO VIANNA (Arievaldo Vianna Lima) – 50 anos 

Nascido aos 18 de setembro de 1967 na fazenda Ouro Preto (Sertão Central do Ceará), o escritor Arievaldo Vianna foi criado à luz de lamparina, em contato permanente com as cacimbas dos saberes do povo nordestino. Foi alfabetizado em meados de 1970, graças ao valioso auxílio da Literatura de Cordel. Estreou na imprensa em 1982 no Jornal de Canindé e, logo em seguida, passou a publicar seus trabalhos no Caderno de Domingo do jornal O POVO, de Fortaleza. A partir dos anos 1980 vem publicando diversos folhetos, alguns em parceria com Gonzaga Vieira, Klévisson Viana, Pedro Paulo Paulino, Jota Batista e Sílvio Roberto Santos, entre as dezenas de livros com temática diversa e mais de 120 folhetos de cordel já publicados. É também xilogravador, chargista e ilustrador. Participou, ao lado de Dominguinhos, Assis Ângelo e Sinval Sá, de documentário da TV Câmara de Brasília sobre o Centenário de Luiz Gonzaga.


MESTRE BULE-BULE (Antônio Ribeiro da Conceição) – 70 anos 

Um dos mestres da cultura popular nordestina mais renomados do Brasil, Antônio Ribeiro da Conceição, cujo nome artístico é Bule-Bule, nasceu em 22 de outubro de 1947 na cidade de Antônio Cardoso (BA), uma região onde as influências culturais do sertão e do recôncavo baiano se misturam e contribuíram decisivamente para o arcabouço artístico deste grande poeta. Figura emblemática da cultura popular, também é um excelente cordelista com mais de 100 títulos publicados; um exímio sambador e tiraneiro, além de forrozeiro de grande valor, tendo todas estas virtudes comprovadas nos oito discos e dois DVDs gravados em mais de 45 anos de carreira. Já dividiu o palco com renomadas figuras como Gilberto Gil, Beth Carvalho, Gabriel o Pensador e Tom Zé, em apresentações nos Estados Unidos, na Alemanha, Espanha e em Portugal. Em 2008, Bule Bule foi condecorado com a maior premiação brasileira para a Cultura, a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 2017 foi um dos homenageados da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.


ZÉ MARIA DE FORTALEZA (José Maria do Nascimento) – 60 anos de viola

 Zé Maria de Fortaleza é o nome artístico de José Maria do Nascimento, nascido em Aracoiaba (CE) em 07 de agosto de 1945. É cantador, repentista, músico, ator e cordelista. Membro da Academia Brasileira da Literatura de Cordel (ABLC), cadeira nº 24, que tem como patrono o poeta Francisco Sales Areda. Vice-presidente da Academia Brasileira de Cordel (ABC), filiado à Ordem dos Músicos do Brasil, à União dos Compositores Cearenses (UCC), à Associação dos Cantadores do Nordeste (ACN), à Sociedade dos Amigos da Arte (SOAMA) e vice-presidente da Associação de Escritores Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE). Também cursou Teoria Musical no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e foi certificado nos cursos “Influência afro na cultura brasileira” e “História da música popular brasileira”.


JOSÉ COSTA LEITE – 90 anos 

José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927, em Sapé (Paraíba). Diz que nunca frequentou a escola tradicional, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em 1938 muda-se com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade aonde mora até hoje. Em 1947 começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica os seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, escrevendo clássicos como A carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista, O dicionário do amor e Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros.

Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – tanto os seus, como os de outros poetas – e ganharam status de obra de arte a partir dos anos 1960, quando passaram a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, no Brasil e no exterior. Em 2005, José Costa Leite foi o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), aonde também fez ateliês de xilogravura.

Fonte: www.casaderuibarbosa.gov.br/cordel


Programação da II Feira do Cordel Brasileiro

17 de agosto (Quinta-feira)

Teatro

14h – Abertura Oficial da II Feira do Cordel Brasileiro – Recital dos Mestres

14h40min – “Bagunça dos Brinquedos” – Apresentação teatral com texto adaptado do cordel de Mariane Bigio e participação especial das crianças da cidade de Pio IX/PI


Palco Cego Aderaldo

15h – Forró de raiz: Cecília do Acordeom (Redenção/CE)

15h30min – Rafael Brito e a Rabecaria (Fortaleza/CE)

16h – Raul Poeta (Juazeiro do Norte/CE)

16h30min – Olegário Alfredo e Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG) 

17h – Tempo de Brincar (Sorocaba/SP)

18h – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)

19h – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)


18 de agosto (Sexta-feira)

Teatro

14h – Palestra “Receitando Cordel” 

Palestrantes: Paola Torres (Fortaleza/CE), Sávio Pinheiro (Várzea Alegre/CE) e Breno de Holanda (Fortaleza/CE)

         Mediador: Assis Almeida (Fortaleza/CE)


Sala de Ensaio

14h – Oficina de Xilogravura - Facilitador: Sergio Magalhães (Itapajé/CE) – para o público a partir de 14 anos

14h – Oficina de Xilogravura - Facilitador: João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE) - para o público a partir de 14 anos


Palco Cego Aderaldo

16h – Recital: Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE), Lucarocas (Fortaleza/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)

16h40 – Lançamentos da Cordelaria Flor da Serra com os poetas Arievaldo Vianna, Evaristo Geraldo da Silva, Auri Lopes, Marco Haurélio, Paiva Neves e Orlando Paiva.

17h – Declamação: Dideus Sales (Aracati/CE)

17h30min – Embolada: Marreco e convidado (Fortaleza/CE)

18h15min –“A grande peleja de Benedito com Guilherme Nobre” – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)

19h15min – Mestre Chico Pedrosa (Olinda/PE)


19 de agosto (Sábado)

Teatro

14h – Palestra “A Literatura de Cordel no panorama brasileiro”

Palestrantes: Jorge Melo (São Paulo/SP), Marco Haurélio (São Paulo/SP), Oswald Barroso (Fortaleza/CE)

Mediação: Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)


Sala de Ensaio


14h – Oficina de Cordel - Facilitador: Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE) - para o público a partir de 12 anos


Palco Cego Aderaldo

15h – Recital: Antônio Francisco (Mossoró/RN)

16h – Tempo de Brincar (Sorocaba/SP)

17h – Declamação – Tiago Monteiro (Pocinhos/PB)

17h30min – Francine Maria (Ibiapina/CE)

18h – Show: Canto Cordel - Tião Simpatia (Fortaleza/CE)

18h50min – Eugênio Leandro (Limoeiro do Norte/CE)

19h10min – Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)


20 de agosto (Domingo)

Teatro

14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste”

Exibição do Filme Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito – Classificação: Livre

Palestrantes: Rosemberg Cariry (Fortaleza/CE), João Eudes Costa (Quixadá/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)

           Mediação: Poeta Orlando Queiroz (Quixadá/CE) 


Palco Cego Aderaldo

16h – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró/RN)

16h30min – Forró pé-de-serra: Kutuka a Burra (Fortaleza/CE)

17h – Canções de Viola: Antônio Jocélio (Fortaleza/CE)

17h30min – Marco Lucena (RJ) e Cacimba de Aluá (Fortaleza/CE)


18h30min – Show de Encerramento: Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)


EXPOSITORES: 

ABLC (Rio de Janeiro/RJ)
AESTROFE (Fortaleza/CE)
Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
CECORDEL (Fortaleza/CE)
Chico Pedrosa (Olinda/PE)
Cordelaria Flor da Serra (Fortaleza/CE)
Edições Patabego (Tauá/CE) 
Editora Coqueiro (Olinda/PE)
Eduardo Macedo (Fortaleza/CE) 
Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE)
Francisco Melchiades (Fortaleza/CE)
Francorli (Juazeiro do Norte/CE)
Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE)
Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE)
José Lourenço (Juazeiro do Norte/CE)
Jotabê (Fortaleza/CE)  
Lucarocas (Fortaleza/CE)
Nonato Araújo (Fortaleza/CE)
Olegário Alfredo (Belo Horizonte/MG)
Regina Drozina (Guararema/SP)
Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)
Valentina Monteiro (Campina Grande/PB)
Tupynanquim Editora (Fortaleza/CE)


Serviço: 

II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

Local: CAIXA Cultural Fortaleza 
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema 
Data: De 17 a 20 de agosto de 2017

Horários: Quinta a sábado: 14 às 20h | Domingo: 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre 
GRATUITO

Atendimento à imprensa:
Helena Félix – (085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com e 
Kiko Bloc-Boris – (085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com


Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE):
Bebel Medal – (85) 99934-0866
bebelmedal@gmail.com
www.caixa.gov.br/imprensa | @imprensaCAIXA


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Acesse o site www.caixacultural.gov.br 

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domingo, 30 de julho de 2017

LANÇAMENTOS DE RAFAEL BRITO NA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

LANÇAMENTOS DE RAFAEL BRITO NA
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

DVD - RAFAEL BRITO E A RABECARIA, AO VIVO NA BIENAL DO CEARÁ - 2017

Em todos os eventos, temos sempre algo novo para apresentar para o nosso público: folhetos, livros, cds, dvds, entre outros materiais que produzimos durante os momentos de nossa vida. Sempre esperamos ansiosamente pelo evento para mostrar nossas novas produções, e os lançamentos desses produtos, são sempre regados a aplausos e mais aplausos.
Além dos folhetos "O Testamento de Zé Morredor", "O Fabuloso Mundo dos Leprechauns", "A Princesinha Ruiva", "Todo Mundo Tem um Lunga Que Merece", entre outros, tenho a maior de toda as novidades: O DVD Rafael Brito e a Rabecaria, Ao Vivo na Bienal do Ceará!
Neste DVD, eu e o grupo (Murilo Alves, Israel Alcântara, Abner Silva e Diones Mendes), apresentamos desde côcos, chulas, forró de rabeca e muita, mas muita poesia. Também homenageamos os ícones da cultura popular que quase sempre estão presentes nos eventos como o Mestre Bule Bule e o Mestre Chico Pedrosa.
São 43 minutos de muita festa, e o público vai ao delírio. Rabeca, triângulo, zabumba, pandeiro e violão se unem, levando uma música ancestral e de grande qualidade.
As danças também são bem vindas no show, o Mestre Bonequeiro Valdeck de Garanhuns sobe ao palco e dança "trupé" comigo, fazendo uma belíssima participação e enriquecendo o conteúdo rabecal.
As pré-vendas já foram iniciadas e o lançamento ocorrerá na II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO que acontece de 17 a 20 de Agosto na Caixa Cultural, em Fortaleza, ao lado do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Compras antecipadas pelo Whatsapp: (85) 98924 1735

Adquira já o seu, pois as cópias são limitadas!

II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

A CAIXA CULTURAL APRESENTA
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO




DE DEZESSETE A VINTE
DE AGOSTO, QUE BELEZA,
LÁ NA CAIXA CULTURAL
UM EVENTO DE GRANDEZA
REÚNE GRANDES POETAS
COM SUAS MENTES REPLETAS
DE CULTURA, COM CERTEZA.

SÃO QUATRO DIAS DE FEIRA
PARA QUEM QUISER CHEGAR
VOCÊS ENCONTRAM OS POETAS
DA CULTURA POPULAR
COM FOLHETOS E CDS,
LIVROS, XILO E DVDS
PARA COMPRAR E LEVAR.

PARA FECHAR O CONVITE
PRA QUEM QUISER VISITAR
VOU ENSINAR O CAMINHO
NÃO TEM NEM COMO ERRAR:
NA CIDADE QUE ENCANTA
NA RUA PESSOA ANTA
VIZINHO AO DRAGÃO DO MAR.
 
(Rafael Brito)


          Entre os dias 17 e 20 de Agosto, acontecerá em Fortaleza a II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO, um evento da Caixa Cultural, Aestrofe (Associação dos Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) e ENCENA Produções, coordenado pelo Poeta Cordelista Klévisson Viana.
        Estarão sendo homenageados poetas, músicos e escritores pelos seus aniversários e também pelos seus anos de encantamento, como o Mestre Bule Bule da Bahia pelos seus 70 anos de vida e o famoso e brilhante cantador Cego Aderaldo pelos seus 50 anos de encantamento.
         Poetas de grande nome da nossa cultura estarão presentes no evento como o Mestre Chico Pedrosa, Geraldo Amâncio, Rouxinol do Rinaré, Evaristo Geraldo, Paiva Neves, Marco Haurélio, entre outros.
           É sempre uma honra muito grande participar de eventos em que os maiores poetas da cultura popular brasileira estão presentes. O mais importante nesses eventos, são os encontros e reencontros e a troca de experiências segundo a opinião de alguns dos poetas presentes, inclusive a minha.
        No ano passado foi comemorado os 80 anos do Mestre Chico Pedrosa, cerca de 60 poetas estavam presentes no evento, e um público seleto e fervoroso acompanhou durante seis dias o magnífico evento.

HOMENAGEM AO MESTRE CHICO PEDROSA PELOS SEUS 80 ANOS DE VIDA

             Este ano, serão diversos artista homenageados. Além das homenagens, parabenizações e shows dos artistas presentes, o público também terá acesso ao material dos mesmos, comprando direto das mãos dos autores das obras.
          Cordéis, xilogravuras, livros, cds, dvds, camisas e bolsas personalizadas, são alguns dos materiais expostos pelos artistas. Além de um intercâmbio cultural, o evento promove shows de música e declamações diárias durante os dias de evento, e o melhor, tudo gratuitamente para que o público possa apreciar a cultura. 
          Klévisson Viana, poeta, cordelista, ilustrador, gravurista, editor proprietário da Tupynanquim Editora e Diretor da Aestrofe está a frente desse grande evento de muita força cultural, trazendo à Fortaleza, artistas de mais de 10 estados do Brasil, divulgando e valorizando a nossa cultura e a nossa cidade.

QUANDO? ONDE? QUE HORAS?

           O evento ocorre de 17 a 20 de Agosto na Caixa Cultural de Fortaleza no horário de quinta a sábado de 14h às 20h e no domingo das 14h às 19h, na RUA PESSOA ANTA, 287, Praia de Iracema, ao lado do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Mais informações: (85) 34532770



      A II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO É A NOSSA GENTE MOSTRANDO O QUE TEM DE MELHOR!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

PAIVA NEVES, POETA SOCIAL E MILITANTE POÉTICO

FRANCISCO PAIVA DAS NEVES
O POETA MILITANTE

SOU UM POETA SOCIAL E MILITANTE POÉTICO. EDUCADOR POR FORMAÇÃO

     O que falar sobre o "admirável Paiva das Neves"? Sujeito simples e de alma forte, o homem do Cedro merece minhas mais sinceras homenagens.
        Aos 54 anos, o poeta militante está firmado nas letras e nas poesias. Ativo e muito criativo, Paiva vem desenvolvendo um belíssimo trabalho de edição e publicação de poetas veteranos e novos, com a Cordelaria Flor da Serra, sua editora.


          
       Pedagogo pela UFC (Universidade Federal do Ceará), tem 9 livros publicados por várias editoras do país e cerca de 35 folhetos de cordel publicados pela Tupynanquim Editora e pela Cordelaria Flor da Serra (sob sua direção).
    Militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro) desde 1983, Paiva tem uma história de lutas e conquistas. Esteve presente por quase 20 anos a frente da coordenação geral do Sindicato dos Sapateiros do Estado do Ceará, no qual construiu uma vida de luta contra a classe opressora da categoria. 
   Tem um sonho de trabalhar com crianças, desenvolvendo voluntariamente um projeto de educação infantil através da Literatura de Cordel.
    Casado a quase 20 anos com "Fatinha", com quem tem um filho chamado Pedro Emanuel, Paiva é um homem apaixonado, daqueles que diz um Eu te amo todos os dias. Conquistou sua amada em Itapipoca com o poema "Soneto de Fidelidade" de Vinícius de Moraes, e tinha o hábito majestoso de escrever cartas para a sua amada.

SEGUNDO A PRÓPRIA FATINHA, PAIVA É UM HOMEM MUITO FOCADO
EM TUDO O QUE FAZ E EXTREMAMENTE RESPEITOSO AO PRÓXIMO

    Tive a oportunidade de conhecer Paiva no Projeto "Cordel Com a Corda Toda", coordenado por Klévisson Viana no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Na época, além de estar presente no evento todos os meses, Paiva mantinha uma banca de cordel ao lado do Teatro do Dragão do Mar, hoje dirigida e administrada por Dulcimar, esposa de Klévisson.
    Tive o imenso prazer de estar com o poeta militante na rica ocasião da feira em homenagem aos 150 anos de Leandro Gomes de Barros, realizada em Pombal-PB e organizada por Ione Severo.

PAIVA NEVES, ANTÔNIO FRANCISCO, CHICO PEDROSA E EU

    Foi ali nosso primeiro contato realmente de sentar e conversar direito, apesar de lembrar de algum evento onde Paiva nos compartilhou alguns versos de um livro do Catulo da Paixão Cearense.
    Além de tudo isso, eu e Paiva temos uma história em comum que aconteceu antes mesmo de eu nascer: Na ocasião em que mandei meu texto do folheto "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra encantada da Lagoa do Padre Andrade", para Paiva analisar e futuramente lançar pela Cordelaria, ele relatou que morou quando pequeno no Padre Andrade e que um acontecimento marcou muito a sua infância naquele bairro. aos 5 anos de idade Paiva morava no final da linha do Padre Andrade, e um dos motoristas que conduzia aquela linha, sem querer, atropelou uma criança que foi buscar uma bola em baixo do veículo. Paiva relatou isso, dizendo que haviam muitas pessoas para olhar o acontecido, e nesse momento, relatei a Paiva que o motorista era meu avô Souza Brito, que conduzia aquela linha, e que aquela história, sempre foi contada na minha casa pela minha avó e meus tios. 
      Paiva é um homem simples, homem forte, do interior. Sábio em suas decisões e aconselhador. Gosta de contar piadas. Tive a oportunidade de repartir um momento com ele e Stélio Torquato (Professor da UFC e Cordelista) no SESC. Foram três dias declamando ao lado dos dois, e nos momentos de descanso do almoço, trocamos piadas e anedotas. Conheci um Paiva brincalhão, gente fina e da melhor qualidade, e dividiria muitos outros momento assim com o poeta militante.
      A Cordelaria Flor da Serra, lançou meu primeiro folheto, e só tenho a agradecer ao Poeta Paiva Neves por essa oportunidade grandiosa. E que venham muitos e muitos folhetos de Rafael Brito pela Cordelaria Flor da Serra!



SUCESSO E SAÚDE AO POETA MILITANTE!

domingo, 9 de julho de 2017

DOM QUIXOTE DE LA CULTURA - PARTE II

MAIS PERIPÉCIAS DO POETA KLÉVISSON VIANA
VULGO "MANÉ PIPOCA"

OS ENSINAMENTOS DO POETA ME LEVARAM A DESCOBRIR MUITO HORIZONTES
        
         A "I Feira do Cordel Brasileiro" foi um evento emocionante e de grande porte. O Mestre Chico Pedrosa, (homenageado do evento pelos seus 80 anos de idade), merece todo o nosso carinho e admiração. Klévisson, maquinou todo o projeto em sua mente de artista.

NO MOMENTO DOS PARABÉNS AO MESTRE FRANCISCO PEDROSA GALVÃO, VULGO CHICO PEDROSA
        
        De cabeça criativa e sugesta arquitetônica, o poeta se divide em milhões para dar conta de tudo o que faz. Além de cordelista é também ilustrador, quadrinista, gravurista, empresário, pai, marido, coordenador de projetos, e principalmente, um grandioso artista de alma nobre e singela.
      O que dizer do amigo que ajuda nas horas mais difíceis mesmo estando "pê da vida" com você? Simplesmente, sem igual.
Faceiro e de riso inigualável, o poeta Klévisson Viana é simples e engraçado. Autor de vários folhetos e livros de grande sucesso, mantém sua originalidade em seus versos e traços.
        Durante o ano de 2016 acompanhei boa parte das semanas do poeta e tivemos muitas histórias a dividir.
NA FEIRA NO JARDIM DO THEATRO JOSÉ DE ALENCAR, OS POETAS POSAM PARA A FOTO
       No dia 5 de maio de 2016, o amigo poeta me deu um presente que iria mudar minha arte e meu estilo, mudar não, me fazer evoluir no que eu já andava fazendo: Uma Rabeca!
Amarela, sem cordas e sem detalhes, a Rabequinha doada por Klévisson me tornou outro artista. Estava dando início a um novo ciclo do meu novo trabalho com a arte: A Rabecaria!

O RABEQUEIRO ENTRA EM CENA
   

      Fruto de muitas pesquisas e amizades, o meu trabalho com a Rabeca começou a ser reconhecido. Conheci um novo estilo musical de uma festa popular chamada "Cavalo-Marinho", presente na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Foi ai que começou a verdadeira arte de tocar Rabeca na minha vida.
Depois de algum tempo, comecei de leve com a Rabeca no "Cordel Com a Corda Toda", tocando uma ou duas músicas. Klévisson elogiou e disse ao Mestre Chico Pedrosa que estava presente no dia do lançamento do meu primeiro CD, Rafael Brito, O Bordador de Histórias: Olha como o cabra é danado, eu dei essa Rabequinha a ele a pouco meses, e olha o que ele já está fazendo! O bicho é danado, Pedrosa!

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD "RAFAEL BRITO, O BORDADOR DE HISTÓRIAS,
COM LUAN SORRANE E DIONES MENDES
      
      Depois daquele comentário, percebi que nascia naquele dia uma responsabilidade maior do que eu imaginava: Montar uma banda de música popular, que recriasse, sem perder as raízes, os forrós de rabeca!
       Alguns dias depois, pensando em como fazer essa banda e o que tocaria nela, uma ideia surgiu em minha mente, um projeto chamado "Rabecada", e puxando mais um pouco da inteligência que Deus me deu, fechei no título "Rabecaria".
      Klévisson, por saber que meus tios tocam comigo, chamou a banda de "Os Brito", fazendo graça como sempre, (e até hoje chama assim).
     Sabendo da organização da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, onde Klévisson foi o organizador da Praça do Cordel em meio ao evento, ofereci a banda para apresentar alguma coisa, um show novo chamado "Rafael Brito e a Rabecaria", de prontidão, veio o aval do poeta!
      Esperamos ansiosamente pelo evento. Não falávamos de outra coisa. E foi um evento e tanto.
     Primeira apresentação em um domingo às 10:30 da manhã, chegamos cedo, passamos o som, e mandamos brasa. Aprovação total do público e dos outros poetas que estavam presentes.

PRIMEIRA APRESENTAÇÃO OFICIAL DA BANDA DE MÚSICA POPULAR RAFAEL BRITO E A RABECARIA

        Foi um sucesso, logo Klévisson nos convidou para participar do lançamento do seu livro "Miolo da Rapadura", entrando com musicalidade naquele seu momento.
    Outro sujeito também gostou tanto que nos convidou para acompanhá-lo musicalmente durante seu show de bonecos de mamulengo: O Mestre Valdeck de Garanhuns.

MURILO ALVES, ABNER SILVA, GUILHERME NOBRE, VALDECK DE GARANHUNS, TAMYRIS LUNA,
RAFAEL BRITO, DIONES MENDES E ISRAEL BRITO

DURANTE O SHOW DE VALDECK DE GARANHUS E RAFAEL BRITO E A RABECARIA

     O poeta Klévisson Viana foi quem nos proporcionou todos esses momentos maravilhosos para que a gente pudesse mostrar nosso trabalho.

Continua...

O ROMANCE DE ISAURA E JOÃO MIMOSO OU A COBRA ENCANTADA DA LAGOA DO PADRE ANDRADE

O ROMANCE DE ISAURA E JOÃO MIMOSO 

OU A COBRA ENCANTADA DA LAGOA DO PADRE ANDRADE


        "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra Encantada da Lagoa do Padre Andrade" é um dos primeiros folhetos de cordel do Maestro Rafael Brito. Rafael Brito é declamador, músico, ator, artista plástico e agora também revela sua face poeta, ao escrever, de uma canetada só, dez folhetos de cordel.. A Cordelaria Flor da Serra ao editar esse folheto, resgata uma das mais criativas e férteis tendência da poesia popular.
      O encantamento é uma das tradições que têm raízes profundas nas narrativas populares, e é, de certa forma uma herança direta da cultura árabe, presente nos contos das Mil e uma noites, como também em tantas outras tradições, como por exemplo, na literatura oral africana e indígena. Esse preâmbulo é tão somente para fundamentar a narrativa de Rafael Brito em A lagoa da cobra encantada do Padre Andrade, ou o romance de Isaura e João Mimoso dentro de um contexto que tem como foco narrativo a tradição milenar dos povos em contar histórias de seres humanos transformados em animais. 
        Donzelas que viram serpentes é um tema muito presente na tradição das lendas urbanas e para ilustrar esse argumento, cito que nos anos 80 era muito comum se ouvir nas rodas de conversas, argumentos inquestionáveis de populares sobre a existência de um túmulo acorrentado que existia no Cemitério São João Batista e que no qual habitava uma moça que virou cobra, como castigo por desobediência à mãe.. Nesse cordel, Rafael Brito, narrando uma história do seu tempo de menino, resgata essa tradição, colocando na capa uma ilustração de sua autoria.

Foi assim que o Mestre Paiva Neves, proprietário e editor da Cordelaria Flor da Serra, descreveu o meu folheto "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra Encantada da Lagoa do Padre Andrade, e seguiu dizendo:

      Fortaleza, como qualquer outra cidade, vivencia as suas lendas. As lendas urbanas povoam e se perpetuam no imaginário popular. Quem nunca ouviu falar do "Carro Preto" que pegava os meninos para vender no estrangeiro, do "Corta Bunda" do José Walter, da "Perna Cabeluda" e para os mais antigos "O Papa Figo", "A Loura do banheiro" ou "O monstro da Água verde da Guaiúba" ou ainda o famoso "Cão da Itaóca". Rafael Brito vai beber em uma dessas lendas, uma linda história de amor do então bucólico bairro de Padre Andrade. Isaura, a moça que virou cobra e João Mimoso, o viajante que se encanta pelo melodioso canto da serpente donzela. "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra Encantada da Lagoa do Padre Andrade", é o primeiro cordel desse jovem poeta a ser editado. Rafael Brito é aquilo que podemos chamar de artista de muitas faces. Ele é declamador, e dos melhores, ator, músico,artista plástico e começa a se insinuar pelo mundo do cinema. É com imenso prazer que a Cordelaria Flor da Serra publica essa obra de Rafael Brito.

       Meu primeiro folheto editado, esteve em boas mãos, e teve a honra de ser lançado na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Causou muita admiração aos moradores do meu bairro, por segundo alguns dos moradores das redondezas da lagoa citada na história, jamais imaginaram que poderia virar uma história escrita, principalmente, um cordel!
       Essa é uma maneira de manter vivas as histórias do nosso povo, e a memória dos mais velhos.
Vivo no Jardim Iracema, bairro ao lado do Padre Andrade, em Fortaleza, e venho, com esse folheto, mostrar que na comunidade, no subúrbio, tem muito mais do que histórias de violência, fome e tráfico. Nosso povo é um povo rico, e temos que valorizar essa riqueza.
         A nossa Fortaleza é floreada de histórias e de cultura, só precisamos ver isso com os olhos certos.
Essa é a primeira história do meu bairro que conto em cordel e não será a última, quero mostrar ao mundo o que tem de melhor nas periferias de Fortaleza.
       Quem me deu grande ajuda nessa empreitada foi Ivânia Maia e o Projeto Criança Feliz, que se localiza na rua que divide Jardim Iracema e Padre Andrade. Divide geograficamente, por que os dois bairros estão mais unidos do que nunca. 
      Fruto de muitas pesquisas sobre a história da famosa cobra Isaura, esse folheto fortifica as histórias do nosso povo, e a veia cultural e protetora do Projeto e de Ivânia.

        Segue aqui, o texto, na íntegra, do folheto "O Romance de Isaura e João Mimoso ou a Cobra Encantada da Lagoa do Padre Andrade":

As histórias de trancoso
Contadas no meu sertão
Nem se comparam ao roteiro
Dessa minha descrição
Pois a história que narro
Não é fruto de invenção.


Quem ouviu contar história
De monstros assustadores
Vai gostar da narrativa
Que contarei aos leitores
De uma cobra encantada
Que causou muitos horrores.

Foi a muito tempo atrás
Em uma localidade
Chamada de Padre Andrade
No subúrbio da cidade
Que essa história passou
Foi pura realidade.


Existe ali uma lagoa
Que tem um nome estranho
É “Lagoa do Urubu”
Eu mesmo já tomei banho
Naquela que guarda o mistério
De uma cobra sem tamanho.


Disseram que uma vez
Um trator da prefeitura
Foi limpar a tal lagoa
Para a geração futura
Tomar banho de lagoa
Mantendo a nossa cultura.

Quando de repente a cobra
Enrolou-se no trator
E foi puxando pra dentro
Junto com seu condutor
Para dentro da lagoa
Pra sentir o seu sabor.

Mas eu não quero fugir
Do meu roteiro final
Nem contar terríveis coisas
Desse enorme animal
Quero falar do encanto
Desse bicho sem igual.



Foi Isaura uma moça
Das mais belas da cidade
Comparando o seu olhar
Com a lua em claridade
Mais bela que um bem-te-vi
De tanta formosidade.

As moças tinham inveja
Daquela beleza infinda
Pois entre as moças do bairro
Foi de todas a mais linda
Todos queriam sua presença
Chegando era bem vinda.

Mas o tiro da inveja
Um dia lhe acertou

Pois uma moça do bairro
Um feitiço lhe lançou
E fez tão bem feito o encanto
Que uma cobra se tornou.

Disse em poucas palavras
Que o encanto quebraria
Se um rapaz sincero e forte
Cheio de viço e alegria
Se apaixonasse por ela
E somente assim seria.



Isaura, desesperada
Sendo encantada chorou
E vendo que da beleza
Sincera nada sobrou
Rastejou mais que de pressa
E na lagoa entrou.

Daquele dia em diante
Ninguém mais viu a beleza
Daquela moça tão linda
Nascida da natureza
Cheia de vida e repleta
De garra e de destreza.

A inveja mata o ser
Que deixa esse sentimento
Se instalar no seu peito
Cheio de ressentimento
Só causa contrariedade
Solidão e sofrimento.

Então Isaura encantada
Bem no fundo da lagoa
Começou a entoar
Uma cantiga tão boa
Tão tristonha e solitária

Parando qualquer pessoa.


Até que um viajante
Que vinha de bem distante
Ouvindo ali a história
Daquela cobra gigante
Ficou muito curioso
A partir daquele instante.

Disse que queria ver
E ouvir aquele canto
Que a cobra entoava
No seu mais puro encanto
Do profundo da lagoa
Mostrando seu grande pranto.

Ainda desconfiado
Da história da encantada
Sentou-se em uma pedra
Numa arena iluminada
Onde jogam futebol
Bem pertinho da beirada.

Ficou ali pela noite
Pensando com seus botões
Que as histórias do povo
Não passavam de ilusões
E que aquela era mais uma
Das quebradas dos sertões.



Lá pelas tantas da noite
Cansado de esperar
Adormeceu sobre a pedra
Ali naquele lugar
Quando de repente o canto

Começou a escutar.

Acordou bem assustado
Olhou a hora ligeiro
Deu um “pinote” pra trás
Escorregou no lameiro
Quis correr, porém não pôde
Aquele pobre estrangeiro.

Quando olhou para o lado
Da pedra onde dormiu
Viu a enorme serpente
Que entre as pedras sumiu
De repente em suas pernas
A grande cobra sentiu.

Enrolou-se em seu corpo
O corpo da grande cobra
E naquele desespero
O medo tinha de sobra
E dobrou-se na areia
Paralisado na dobra.



Quanto mais o viajante
Tentava se contorcer
Mais a cobra se enrolava
Aumentando o padecer
Do viajante medroso
Que só queria lhe ver.

Quando o jovem viajante
Sem forças se entregou
Ouviu uma voz suave
Que com calma lhe falou:
- Não grite jovem rapaz!
E logo o jovem calou.

Aquela voz tão serena
Que se ouviu na agonia
Era a bela voz de Isaura
Coberta de alegria
Porque o jovem parou
Pra ouvir o que diria.

O jovem clamou dizendo:
- Não me devore por favor!
Isaura disse: - Se acalme,
Não vou devorar o senhor
Só quero que me ofereça
Um pouquinho de amor.



O homem ouvindo aquilo
Começou a se acalmar
E disse: - Então é verdade
O que vieram me contar?
Que você foi encantada
Por quem lhe quis invejar?

Isaura naquela hora
Contando ao homem chorou
O homem ouvindo atento
Logo se prontificou
Em ajudar a encantada
E prender quem lhe encantou.

Isaura lhe perguntou
De um jeito maravilhoso:
- Me diga então seu nome
Homem forte e corajoso
Ele disse: - Você pode
Me chamar “João Mimoso”.

Naquele momento um brilho
Acendeu a escuridão
O homem na mesma hora
Movido de compaixão

Se apaixonou por Isaura
E pela sua canção.



E se olharam nos olhos
Com uma admiração
Que nem inveja, nem ódio
Faria a destruição
Daquele simples amor
Que nasceu da compaixão.

Quando um beijo encantado
Naquela noite rolou
E o brilho das estrelas
Sobre a lagoa brilhou
João Mimoso sentiu
Que Isaura lhe encantou.

Ao invés da cobra Isaura
De novo se tornar gente
Aconteceu uma coisa
Totalmente diferente
O homem quem virou cobra
Muito mais que de repente.

Isaura disse: - Não pode!
Isso tudo está errado!
João Mimoso disse:
- Espere, isso tudo foi pensado
Eu desejei tudo isso
Pedi pra ser encantado!



Isaura tão triste disse:
- Mas porque você fez isso?
João Mimoso lhe olhando

Mostrando seu compromisso
Disse: - Eu posso lhe explicar
Porque eu quis pensar nisso!

João olhando em seus olhos
Disse assim: - Me apaixonei
Por Isaura da Lagoa
A cobra que encontrei
E não a pessoa Isaura
Por isso me encantei.

Isaura ali entendeu
Que aquele amor valia
E deu um grande sorriso
E encheu-se de alegria
E entraram na lagoa
Quando o dia já surgia.

De manhã ninguém mais viu
Nem rastro do forasteiro
Só encontraram um sapato
A camisa e um isqueiro
Perto da pedra encantada
que dormiu o estrangeiro.



Nunca mais se ouviu o canto
Daquela cobra encantada
Por que encontrou amor
Onde jamais esperava
Vindo de um viajante
Que lhe esperou na beirada.

Isaura viu que seu canto
Era pura solidão
E pra curar esse mal
Abriu o seu coração
E a inveja foi vencida
Por uma linda paixão.


E sobre a moça maldosa
Que lançou a maldição
Desapareceu dali
Sem dar nem satisfação
E dizem que jamais ela
Teve na vida uma paixão.

Hoje em dia quando passo
Em frente aquela lagoa
Que lembro dessa história
De uma forma tão boa
Eu tenho vontade de ver
As cobras nadando a toa.

Mas tenho medo de ir
Até a pedra encantada
E passar a noite esperando
Sentado ali na beirada
Ouvir o canto de Isaura
Sentindo-se bem amada.

Essa história da Isaura
Eu garanto, foi verdade!
Se passou lá na lagoa
No meio do Padre Andrade
E é uma linda história
Da nossa bela cidade.

Ficam aqui os meus registros
Do romance encantado
Provando que a inveja
Não tem um lugar guardado
Quando o amor acontece
Sem ser por nós esperado.

FIM 
 

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